Wednesday, January 10, 2007

O DESCONHECIDO

Quero poder começar um trabalho que acaba de me ser proposto sem que este veja a ideia geral do que foi pedido comprometida de forma alguma, pondo os seus interesses em discussão aberta na procura dos objectivos pretendidos sendo também parte da tarefa que me autodisciplina a poder um dia gerir melhor os meus projectos pessoais. Ao encontro dos conteúdos está a forma que o Prof. Sena tem em lidar com a exposição do que é pretendido atingir por parte do desempenho dos alunos, mesmo que estes acompanhem a sua passada ao ritmo de uma voz surda sobre o efeito de flashes intrusos.
A tarefa é aparentemente simples, tentar encontrar um determinado motivo que por alguma razão consegue dar a perceber o desconhecido, que não respeita o fim próximo de nada, podendo vir a causar uma perturbação pontual com livre acesso ao grau de descoberta que vê toda a sua razão de ser, patrocinada pelo medo. Também há que saber temer aquilo que se conhece, não é só o que nos é estranho ou novo que nos causa arrelio, o desconhecido também se deixa marcar por aquilo que julgávamos anteriormente adquirido. Gradualmente surge o processo de adaptação, nunca de mais presente nos intuitos que despertam à nossa curiosidade, aqui podemos dividir o que nos é desconhecido versus aquilo que nós julgamos conhecer como indivíduos. É tudo uma básica troca de reacções no fundo. Este raciocínio surgiu-me no primeiro minuto após o Prof. Sena explicar o que queria com este exercício, assim deduzi que de alguma forma seria justo partilhar os meus primeiros pensamentos porque no meu entender eles já fazem parte do caminho desse subentendido vazio, com que fiquei de dar de caras hoje.
Acabam por permanecer algumas dúvidas que rapidamente se desenlaçam quando decido tornar parte da minha motivação num esboço desbocadamente solto com o qual me senti particularmente mais à vontade quando consegui chegar a uma conversa mais restrita com o sector revelando-lhe por poucas palavras o intuito do que eventualmente poderia vir a redigir, o gerir do diálogo de braço dado com abanar rasteiro da cabeça fizeram-me deduzir uma aprovação séptica até que lhe chegasse à prova de contrário, limitei-me ao desafio senão talvez não estivesse a ler isto agora.
Depois era tempo de organizarmos os grupos de trabalho que já nos começam a ser tão familiares, a Filipa, o Ruca, a minha penetra de estimação Raquel, e ainda mais outros colegas que tinham tido umas complicações devido à falta de câmaras por isso acabaram por ficar connosco. Enquanto fazíamos os possíveis por ir ao encontro do que já sabíamos ser parte do trabalho de estudo, não conseguia deixar de parte a ligação que se estabelece remetente a todos os trabalhos que temos vindo a realizar de modo gradual ao longo das aulas, estava a deixar tudo sublinhado uniformemente conduzindo a minha confiança à potencia que é equivalente a tudo o que observo, quero explicar que aqui no campo do desconhecido esta coisa da tomada de percepção acaba por ser visível bem mais perto do que julgamos ter consciência, as pessoas que passam por nós sem que tenhamos o mínimo conhecimento prévio do que lhes causou motivação suficiente, levando a que saíam à rua ilustrando aqui a individualidade do ser. Não era para fazer parte do meu discurso criar um eventual paralelismo levando a que se confunda o aparente desconhecimento de uma aparente ignorância dominante, ao mesmo tempo que a ideia parece ser bem vinda mesmo não o tivesse sido propositadamente. A ignorância é seguramente um ponto de partida que sofre de défice de auto-estima constante, o abismo entre esta e o desconhecido é que este já consegue estar uns degraus mais à frente ao tirar partido do seu sentido de iniciativa e oportunidade caso haja espaço para o fazer.
Acabei as aulas e vou agora com a Kel sempre naquela mesma direcção que percorrer ao passar para o lado de fora da entrada da etic, sempre na direcção dos mesmos comboios, sempre acompanhado das mesmas pessoas desconhecidas, passando sempre pelos mesmos edifícios com história a qual sinto que continuo a não conseguir fazer parte.Ela vai ao telemóvel a por a conversa do jet sete em dia, tenho a cabeça a latejar da fome que se faz sentir, a Raquel lembra-se agora de ficar com peso na consciência por não ter ido à aula de psicologia deve ser por isso que a decide aplicar em mim como modo extra curricular alternativo na indução perspicaz que já me fazia calcular que tal súbito interesse por mim podia trazer água no bico. Começa a querer que fosse almoçar a casa com ela antes de fazer as fotos que me colocam mais perto de alcançar o meu objectivo principal, numa tentativa frustrada que amontoa uma gama de preciosismos que inauguram a forma irritante que busca o seu interesse feminino em tentativas de psicologia invertida inglória. Disse que não podia, era bem melhor sairmos no Monte Estoril irmos almoçar algures onde nunca fomos, mas já que estou numa tentativa em discutir o que se há de comer, onde, como, porquê, com quem, achei que era boa iniciativa pedi à Mariana para se juntar a nós, numa pseudo aventura digna dos livros dos “Cinco”.
O telefone toca, uma mulher monossilábica em efeito cortina vêm-se-me à ideia, de seguida a previsão pontual das coisas, ela não viria. Vou com a Kel rua a cima.
Somos beneficiados pelas escadas que vieram ao nosso encontro visto que não é para ser propositado olhar para onde nos queremos dirigir, o que me fez até acreditar que estava no bom caminho. A Raquel começa com uma sucessiva evasiva de soluços cada um mais diferente do outro, nunca tinha visto uma pessoa que de 20 soluços nenhum ter uma fonética razoavelmente apresentável, estamos sempre a conhecer melhor as pessoas mas isso nunca foi uma dúvida, básicas interrogações retóricas. Chegamos ao destino, eu já tinha passado perto daquele local sempre com um súbito interesse em me aproximar do antigo Hotel que podemos ver lá do fundo que dá pelo antigo nome de Hotel Miramar do Monte Estoril, sabia da sua breve história, construído por volta da década de 40 mas que tivera o seu fim em 75 pós 25 de Abril, quando foi mandado incendiar que desde então ficou entregue ao abandono acabando por se expor ao trabalho interventivo por parte do tempo, esquecido numa vizinhança que sempre se mostrou bastante indiferente com a sua presença monumental.
Esta casa no fundo suscita em mim o interesse que me pôde reportar a assuntos abordados inicialmente nesta descrição vendo o seu papel interventivo muito mais ligado à causa unificadora da própria tarefa, passando maior parte do seu desenrolar a descrever os mecanismos menos perceptíveis das pessoas como processo de auto conhecimento. O estar dentro desta casa é deixar fluir a adrenalina que me motiva, ajuda-me a estimular características que nós já nem nos lembrávamos ser capazes de gerir e muitas das vezes indiferentes à sua presença, sentir que os meus olhos obedecem agora à conquista deste lugar é manifestação do quão inquieto me encontro. Vacilei por segundos quando ouso a Raquel a fugir do primeiro andar cá para baixo quando achou ter ouvido passos, quando eu na minha perfeita ignorância acho difícil haver passos num andar que ruiu, onde a única parte intacta era onde esta se encontrava, mas ok esqueço-me que na cabeça desta miúda é tudo relativo, até já quase me esqueci do quê que motiva em gostar tanto dela, ela nem se apercebeu que depois de sair de lá ficou em falta com um pedido de agradecimento, acho que com este pequeno parágrafo posso assim afirmar que a loucura também marcou presença.
Quis registar o imponência deste lugar as suas vibrações que mesmo com o passar dos anos se mantêm concentradas ali, fiéis aos serviços prestados em função do que era vivido, fruto de discussões, de alegria em noites de festa, fossem quais fossem as razões sempre momentos únicos dos quais se calhar não há registos ou já ninguém se lembra, repleto de histórias por contar onde talvez as conseguisse ainda escutar não fosse a banda sonora dos soluços atrás de mim a não favorecer em nada a minha dor de cabeça. A força com a qual me debati, registar momentos de salão, dos corredores, das varandas, até o antigo elevador mostram-nos a disposição dos ambientes, da atmosfera que estão sempre dependentes das pessoas que as gerem ou geriram.

João Nuno Chalana – Realização
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Tuesday, November 28, 2006

AS GRANDES PRIMEIRAS VANGUARDAS DO SÉC. XX

INTRODUÇÃO

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

Esta pesquisa visa explorar características imprescindíveis a qualquer conceito que aponte abordar as intencionalidades que a História da Arte actual trás na afirmação corrente do que é uma arte plástica e o que essa pode criar. Pretendendo assim acrescentar conhecimento a qualquer curioso no que toca à sua sensibilidade artística, percorrendo impressões rítmicas e plásticas comuns nas mais diferentes áreas em que se possam destacar, nomeadamente, Arquitectura, Escultura, Pintura, Cinema, Dança, etc. Uma busca de perspectiva criatividade teórica sentida e se possível materializada de forma eficaz, a corresponder a uma prática que pretende satisfazer as necessidades de adaptabilidade por parte de qualquer um que tome consciência suficiente do espaço que este preenche no todo que o engloba.
Apontando em todas as direcções para uma focagem mais abrangente em torno das primeiras grandes vanguardas estéticas que puderam ilustrar e sentir a sociedade Europeia do séc. XX, tomando uma iniciativa dinâmica que soube produzir experiências significativas em meados da segunda metade do séc. XIX até à mais presente época contemporânea.

O mundo Ocidental pôde conhecer agora uma reestruturação político-social que teve lugar em finais do séc. XVIII até meados do séc. XIX dando azo às múltiplas “excentricidades” que viriam a ser trabalhadas daí por diante.
A sua propagação estendeu-se desde o “Velho Mundo” (Europa), até ás “Américas” varrendo todo um atlântico que os separa. O assentamento das massas sociais foram propicias à tomada de condutas do aperfeiçoamento colectivo que se generalizou face aos ajustes da época, o consolidar de triunfos democráticos liberais Europeus de ordem Burguesa vêem reabrir expectativas há muito depostas em função da credibilidade vivida, depositada nas expectativas de um povo que não encontrava nenhuma garantia assegurada por parte do Estado que o acolhia. Os sistemas representativos e de intervenção social do Estado conseguiram mudar com a finalidade de solucionar necessidades básicas tendendo a aprofundar um incremento significativo da sua acção corrente, desencadeando mais e fortes soluções nos vários sectores a respeito da educação, saúde, trabalho e cultura. Novos partidos políticos de oposição estariam presentes: Republicanos, Socialistas e Anarco-sindicalistas que tinham como apoiantes as classes médias e operariado, que agora mais do que nunca viam visível a sua consolidação social de ordem burguesa, industrial e urbana.
Agora que se conseguiram reunir condições favoráveis no que toca ás inclinações pessoais de cada individuo entre os actos passados que repercutem um devido agir activo que por sua vez nos ajudaram a adquirir gerações que redescobriram evidências pouco práticas ao elaborar um sentido mais utópico do qual a arte sempre sofreu.
Saber como produzir objectivos é igualmente importante no que toca a esta nova época com condições suficientes que impliquem o concretizar de abordagens mais trabalhosas, que antes de uma revolução industrial não eram possíveis de realizar, hoje podemos dizer que é quase do alcance geral acreditar que se pode materializar tudo aquilo que se sente.
Com a génese desta ideia melhor estudada, podemos então seguir em frente e ser capazes de distinguir qual a corrente pela qual nos sentimos mais familiarizados, sendo assim capazes de traduzir qualquer finalidade que estruture o nosso conceito de liberdade ao modelar os ideais que sintetizam uma sensível postura de credibilidade, estando esta na origem do que corre em torno das mentalidades.
Elementos fundamentais no que trata em ocupar um campo da análise mais coerente, o valor que se esconde por detrás do saber apontar o dedo à bússola das características vanguardistas que conseguem colher um carácter pessoal/colectivo, consciente/inconsciente que por consequência depositam um maior requinte por parte da sua selecção que soube seguir um período de espera onde as ideias tiveram tempo para amadurecer tornando abrangivel o consolidar de estilos e técnicas adaptando-se conforme o que é proposto criar, estudando reflexos subtis agora propostos em consequência de tudo daquilo que a sociedade faz mexer.
Os principais centros difusores que serviram de tubo de ensaio para o mundo lá fora, foram nada mais do que os grandes centros urbanizados, as grandes metrópoles que patrocinavam múltiplas iniciativas por parte da acção humana que via aqui os seus núcleos demográficos, económicos, políticos e culturais. Por sua vez as zonas rurais são um pouco deixadas ao abandono acabando por recuar no tempo ou mesmo estagnar.

Esta estância temporal vivida pela sociedade contemporânea em princípios do novo século é denominada por Período Oitocentista. Vir-se-ia a regista uma altura coberta de descobertas genuínas que levariam ao percorrer de toda uma nova vida moderna, mais motivada que nunca, arrastando as suas influências e perspectivas por todas as cidades da Europa graças aos meios de comunicação e de transporte que disponham favorecendo uma maior propagação na acumulada informação.
As cidades tornar-se-iam não só centros políticos, culturais e económicos como locais de extrema diversão e lazer: hotéis, galerias de arte, bibliotecas, hospitais modernizados, teatros, cafés, cabarets, etc, enriqueciam o dia-a-dia de qualquer cidadão comum que podia então registar novas sensações que lhe possibilitam o desfrutar de uma vasta gama de utilidades satisfazendo as suas necessidades conforme seu entender.
Tudo isto e muito mais seria possível encontrar nas sociedades Oitocentistas, as mentalidades da população mostravam como o trabalho se pode fundir em harmonia com o lazer, sociedades mais confiantes e optimistas em relação ao que concebiam e em função do seu futuro forneciam o incentivo necessário que gerava um apego maior à modernidade dos nosso tempos e o quanto isso veio influenciar o evoluir da condição de uma vida melhor.

O nosso trabalho destina-se a somar um levantamento mais específico no que toca ao adquirir dados que colocam a nu os ideais vanguardistas mais relevantes que tiveram impacto na viragem do século. A minha iniciativa levou-me a escolher o Realismo (Neo-Realismo), Impressionismo, e Expressionismo; mas em função desta mesma disciplina que se adapta a todo este trabalho, acrescentamos um paralelismo cinematográfico que percorra os meandros da indústria cinéfila mais relevante que justifique a escolha que tomei face aos critérios mais subjacentes do que é grande parte do cinema, e de como apenas a 7ª arte consegue projectar sobre si todas as restantes seis no intuito clássico omnipresente que será valorizar os desígnios humanos.

Toulouse-Lautrec, A Dança no Moulin Rouge, 1890, Museu de Arte de Filadélfia.
O desejo de diversão Oitocentista traduziu-se no aparecimento de inúmeros novos locais de lazer, onde foliões de classes sociais se reuniam para conviver. O Moulin Rouge foi um dos mais famosos cafés-concerto da cidade de Paris, no período da Belle Époque.
Estes locais de diversão foram igualmente importantes focos culturais onde artistas plásticos, músicos, filósofos e escritores podiam criar e trocar ideias. Muitos dos movimentos mais significativos desse século nasceram destas tertúlias intelectuais noctívagas.


O REALISMO E O NATURALISMO E AS ARTES PLÁSTICAS DOS MEADOS DO SÉC. XIX

A pintura realista surge em França, por volta das décadas de 30 e 40 do séc. XIX. Estaria bastante vinculada no que toca aos interesses políticos e sociais que faziam parte da sua época, com principal destaque para a Ascensão do 2º Império, a revolução de 1848 que pôde servir de “background” para uma primeira tentativa no ramo das artes plásticas que estariam ao serviço do relato institucionalizado, ou seja, uma acrescente necessidade em contar a história de como esta se tinha passado mas fazer dessa história uma autenticidade de provas que possam confirmar a veracidade dos factos ocorridos.
Antes tomara a literatura como forte alicerce de inspiração, mas este é rapidamente deposto quando decide tornar grande parte dos seus interesses as objectividades da Natureza facilmente observável, representar o real de forma minuciosa e fiel era grande parte do plano que se pretendia alcançar. Era a arte que expunha a vida moderna e rural da altura, abraçava os contornos dos quais esta mais recente sociedade vivia, como espelho que auxilia no que toca a reconhecermo-nos como indivíduos que não são todos os dias iguais, a sociedade também se apercebe das alterações de que é alvo e o como isso lhe fornece uma reflexão promissora, apelando a juízos da memória que não deixaram menosprezar o que pôde ser compreendido do pelo seu passado, caso não estejamos interessados em o voltar repetir.
A representação Humana é feita com acentuado rigor, a anatomia das proporções e das volumetrias e a cor do ambiente são regra inquebrável. Por sua vez, o que conseguimos concluir acima de tudo isto são intervenções artísticas que encerram si um carácter de extrema intervenção critico social, podendo destacar inclusivamente uma diversificação na abordagem das suas temáticas, o que também contribui para que esta se torne numa arte popular que é facilmente reconhecida pelo público.
Os primeiros passos por detrás do realismo foram feitos na “escola” de Barbizon, que serviu como rampa de lançamento para artistas deste género, hoje bastante conceituados como, Théodore Rousseau, conhecido especialmente pelos seus trabalhos onde destacava paisagens, e Constant Troyon. Dentro deste mesmo género podemos expressar uma gama de representações poéticas mais diversificadas capazes de exaltar a realidade pictórica que abunda estas gravuras, onde muitos nomes se elevam e reportam ao indiscutível simbolismo da época, que artistas como, Gustave Coubet, Honoré Daumier, Millet, Corot desenvolviam.
A fotografia é finalmente uma realidade, não só em função de quadros realistas ou naturalistas mas também graças a avanços tecnológicos ocorridos Pós-Revolução Industrial, que levaram à criação de um instrumento capaz de captar a luminosidade em determinado espaço, permitindo-nos mostrar o que esta consegue desencobrir através da isenção da própria escuridade, uma ciência que dependeria essencialmente de toda a abordagem referente ao uso significativo que a luz deposita tornando-se num seu reagente, conforme tudo aquilo que consegue provocar através da sua elevada manipulação, sem qualquer consciência do poder diorâmico que possui-a e que mais tarde viria a controlar, somente mais tarde é que a poderíamos ver em todo o seu esplendor na devida adaptabilidade e conforme necessário.

Daqui ao cinema foi um pulo!


CINEMA REALISTA


Optando agora por uma génese mais automatizada em redor duma indústria que não dispunha de nada que a pudesse elucidar face ás potencialidades de que hipoteticamente viria a ser alvo, ainda se encarava o cinema como uma experiência que vivia uma existência recente e que esta pudesse eventualmente até ser breve. A sua existência face ao mundo geria-se com vagos recursos que muito orgulhosamente o veriam crescer. Hoje é visível a pesada dependência que entrelaça um jovem aspirante a realizador no mundo onde este deambular e é testemunha do que vem vindo a presenciar.


Características singulares de registro fotográfico conferem um certo poder de credibilidade, ausente de qualquer registro pictórico assim como subverte a psicologia da imagem. Tomemos como exemplo uma citação de Bazin:

“Sejam quais forem as objecções do nosso espírito crítico, somos obrigados a crer na existência do objecto representado, literalmente representado, quer dizer, tornado presente no tempo e no espaço.”
O ideal objectivo do qual a imagem fotoquímica vive só seria possível fruto da sua história e do que esta conseguiu desencadear no espectador recorrendo a uma fonte mecânica de registro humanizado. O cinema realista pretende esconder a artificialidade do seu processo de origem atribuindo-lhe um significado de fluidez natural. A imagem de que falamos, na sua abordagem mais ampla é agora visível e assim exposta a enumeras investidas por parte das variáveis manipulações que consomem os interesses que assaltam a adulteração notória dos objectos antes de um registo mais ordenado e psicológico.

Assim sendo, a cena de FC "Charcuterie Méchanique" feita por Louis Lumière em 1897, por exemplo, seria mais realista que as criaturas digitais da ilha Nublar em Jurassic Park de Spielberg. Deste modo, a base tecnológica da fotografia, em oposição aos meios manuais, auto gráficos e digitais de produzir imagens, transforma-se na base da tese psicológica do realismo delineada por Bazin.



O EVOLUIR DAS ARTES PLÁSTICAS

O IMPRESSIONISMO



É nos chegada a revolução Impressionista que esteve em voga durante os anos de 1860-70, fruto das experiências de ambiciosos jovens artistas que constituíam uma época de tertúlias onde eram discutidas as suas abordagens com especial atenção à sua forma de aplicação a respeito de uma corrente perspicaz, que por levar esta direcção adquire rigores estéticos mais ambiciosos provenientes de uma maior aceitação estudada conforme a aceitação e as interrogações por parte do que é considerado artisticamente viável.
Mas quais as atitudes verdadeira mente reflectidas por tudo isto.
Teremos de englobar um contexto político social que nos deixa a descoberto um clima capitalista de raiz burguesa que é vivido, sabendo-se estruturar o suficiente para tirar partido dos avanços científicos que eram a principal medida das suas conquistas e progressos tecnológicos.
Esta arte é no entanto um oposto perante qualquer cânone Romântico e aos intelectualismos do realismo, mesmo que o movimento impressionista tenha tido como base estes antigos estilos com isto estamos agora perante um novo simbolismo que destaca no movimento a energia de que são alvo sentimentos vibrantes. É visível um carácter estritamente particular que liga cada quadro ao que este transmite conforme o artista que o compôs, porem é de salientar impressões que acabam por ir de encontro aos requisitos impostos pela iniciativa impressionista onde a arte explora a vida citadina moderna com perspectivas individuais que ganham a consistência do seu individualismo solitário e autodidacta.
Os meios que estão por detrás destas composições investem no campo de embelezamento de muitas paisagens, transmitem-nos uma definição humana que se rege de acordo com a sua adaptabilidade no mundo moderno que perturba toda a sua atenção, o mesmo interesse dado por uma certa captação da realidade vivida que sente o abalo que deixa a descoberto cores que disparam na direcção atenta do observador que reage à disposição que a luz investe no varrer da sua leitura.
O grupo mais conhecido de Impressionistas era constituído por artistas como: Cammille Pissarro, Paul Cézanne, Armand Guillaumin, Claude Monet, Auguste Renoir, Frédéric Cézanne, entre outros.
Esta nova representação estilística foi possível de obter em função de descobertas como a fotografia que lhe introduzirão elementos específicos importados por sua vez graças ao realismo anteriormente estudado, apoia em baralhar as perspectivas cuja a dimensão de observação é mais aleatória no que toca à composição dinâmica da obra. As estampas japonesas obtidas através do linearismo e planificação, sem claro-escuro, isentam as modelações e volumetrias, opõem-se à pormenorizada procura no acrescido decorativismo simbólico que são agora uma contra-posição significativa, a causa maior que tanto distanciou artistas a perderem rigor pela execução precisa dos detalhes mais minuciosos. Experiências técnicas e científicas alargaram os horizontes que estavam à disposição do seu tempo, adquirindo uma nova liberdade artística que possibilitaria atingir uma nova amplitude de intervenção complementar ao espírito prático e de extrema originalidade deste período.

A pintura Impressionista procura captar o instante luminoso, o fugaz e fugido, estados de uma constante variação de contrastes, um efeito irremovível por parte da luminosidade que tem sempre lugar marcado na sala de observação do objecto sem a qual nenhum sobrevive. Todo este processo de execução baseia-se num método primordialmente experimental que racionaliza e coordena objectivos de índole pessoal à disposição da sua sociedade.
Tecnicamente este género produz efeitos através de uma justaposição na tela, pinceladas pequenas, nervosas, em forma de vírgula ou interrompidas, executadas com grande rapidez perante a gravura e ao ar livre de preferência. As cores exploradas seriam tonalidades puras, fortes e vibrantes, retiradas directamente dos tubos. Aplicadas de acordo com leis complementares de modo a obter a fusão dos seus tons aos olhos do espectador, sem que estas tivessem de obter uma mistura na paleta. O impressionismo traduz-se essencialmente através de uma fusão óptica que se vê caracterizada segundo um aspecto evanescente. Obtemos assim como resultado a dissolução da forma de superfícies e volumes, desaparecendo quase por completo, corporeidade dos objectos.

Resumidamente o trabalho Impressionista vive da rudes que atribui ao formato das suas obras, do sentido inacabado e esboço expressivo, contrastado com o seu folheado aleatório baseado em preparações mais ou menos académicas parisienses.
Talvez por isso a notoriedade não tenha podido bater à porta da grande parte dos artistas que não obtiveram qualquer reconhecimento público, tendo como única medida expor os seus trabalhos segundo uma parceria de interesses, exibidos em locais que estes denominavam como “Salões dos Recusados”. É uma corrente indiscutivelmente parisiense com repercussões bastante visíveis em muitos pontos da Europa, traços que se foram espalhando pela diversidade de artistas que chegavam a França vindos de Itália, Portugal, América, etc, reflectindo nas suas obras as influências de que seriam alvo.

O cinema impressionista não se esconde muito no que toca a partilhar de forma subtil as mesmas características que aqui se souberam manter em aberto, é porem já sabido o indiscutível movimento que aviva os atributos bidimensionais exercidos pelo cinema sobre as imagens a projectar. O que conta essencialmente para os desígnios do Cinema Impressionista é fundamentalmente os seus próprios cenários que são construídos, ou escolhidos em conformidade com as impressões que se pretendem transparecer numa atitude mais específica perante tudo o que a narrativa está a querer trabalhar, sendo significativo o suficiente para quem vai interpretar a história futuramente apresentada. Há todo um enquadramento entre cenário, actores, adereços, caracterização, etc, que são fundamentais para uma melhor percepção do que pode não ser obrigatoriamente real, mas que endurece a aproximação do que se consegue adquirir em termos do mínimo senso interpretativo que se soube refugiar da muito recorrente falta de composição cinematográfica, de estrutura amadora sem composições previamente analisadas que falham nos objectivos propostos pelo realizador que vai contra a mensagem que era proposta.
Exemplos deste género cinematográfico temos filmes como “ In the Cut” de Jane Campion, o “Xangô de Miguel Faria Jr., mas talvez seja ainda melhor dar como exemplo o “Mestre do Suspense” Alfred Hitchcock que dirigiu filmes como “The Man Who Knew To Much”, “Vertigo”, “Psycho”, em que nos seus filmes qualquer detalhe acrescenta um ponto.


O EXPRESSIONISMO

Abordaremos agora uma corrente marcante na sua capacidade de expressão, capaz de nos levar a abrir espaço de forma crua e introspectiva ao concreto de qualquer sensação. Repleta de emotividade prestando criar regras subliminares no que toca ao seu tratamento no domínio da intensidade introspectiva, sendo por vezes difícil gerir o que é prestado sentir, esta corrente artística vai canalizar soluções suficientes à sua tentativa por entender integrar as devidas preocupações no que toca a descodificar complexidade de sentimentos da qual estas obras são estudo, mostrando que é possível tornar tudo “aquilo que vai cá dentro” fácil de entender. Este movimento adquire características da arte Germânica.
Primordialmente este estilo adquire duas tendências principais; inicialmente no séc. XX, é nos dada a conhecer pelo movimento Die Brucke, nascido em 1905, na cidade de Dresden onde mais tarde viria a desenvolver novas tendências que estariam por de trás da origem de um mais recente movimento, o Der Blaue Reiter, nascido por volta de 1911 na cidade de Munique.

Die Brucke:
O Expressionismo nasce com o objectivo linear que pretendia fazer prevalecer a arte do passado, sendo sempre alvo de condicionamento perante a realidade da sua leitura objectiva propondo-lhe um brotar renovado no traçar dos seus ideais de origem, era agora mais uma rebelde ao estilo de arte académico e debatendo-se de frente com o Impressionismo no mesmo plano de igualdade que encarava a industrialização no campo das artes. Um estilo que tem como fortes exemplos da sua técnica as cores aplicadas por Van Gogh e Gauguin, mas onde o linearismo dinâmico de Toulouse- Lautrec foi mais uma influência marcante, onde também se juntaram a esta corrente o norueguês Munch e a pintura macabra de Ensor. Ambos partilhavam uma linguagem extremamente figurativa onde a realidade era colocada como fulcro do conhecimento e inspiração, procurando assim o intuído em querer prestar o devido manifesto que justificasse o descontentamento humano surtido de muitas maneiras – a miséria, prostituição, a opressão, a dor, injustiça, tudo condições muito vividas não inicio deste novo século, daí a termos que acrescentar sempre um certo pendor social a estas obras.
As figuras expressam em si os sentimentos humanos de que somos alvo, o seu dramatismo e angústia levados por assim dizer quase ao extremo, traçando o lado mais trágico das nossas vidas. Esta estética era por vezes catalogada como absurda e compulsiva, deixando a descoberto imagens deformadas e aguçadas com contornos de linhas a negro, cores violentas, contrastadas e sombrias, que definiam vários aspectos da natureza humana, sentimentos de paixão e até mesmo um certo erotismo. O desenho deveria ser dado através da cor procurando uma manifestação espontânea, sem que fosse necessário um delineamento prévio que irá adquirir um temperamento irreflectido que segue em função do próprio esboço, um desenho com ar rude e inacabado, com espaços que sobrem ainda na tela por pintar. Tudo isto é uma consequência pela procura de uma linguagem arcaizante, primitiva e infantil opondo-se às temáticas mais contemporâneas.

Der Blaue Reiter:
Na 1ª década do século XX na cidade de Munique, eis que surge mais um movimento de ordem expressionista que tomou como seu impulsionador o artista russo radicado na Alemanha, Wassily Kandinsky, formado juntamente com Franz Marc em 1910, um grupo que também conhecido por “O Cavaleiro Azul”. Este grupo resolve trazer outros artistas da Nova Associação dos Artistas de Munique.
Mais do que nunca era agora procurado atingir construções que abrangessem construir a máxima realidade no campo das experiências, o intuir dos sentimentos subjectivos paralelamente às sensações de cada um que compuseram a arte deste período. O objectivo aqui estabelecido esteve sempre na apropriação em criar uma arte pessoal que dependesse da meditação que compõe as alíneas necessárias ao cumprimento das suas próprias características, fazendo prevalecer necessidades de maior força interior. Pontos em comum entre autores mais restritos e individualistas do género, destacamos seja qual for o caso, a dimensão lírica da cor, a claridade e força luminosa podendo ser dura ou macia, quentes ou frias, os dinamismos da forma que investem na sua capacidade de fascínio, algo que toca numa magia interna e energia psíquica, o reconquistar da pureza da natureza de tendência abstracta das superfícies.

O cinema expressionista alemão por sua vez partilha muitos registos comuns por parte das artes plásticas, que segundo todo um legado de características essenciais à temática abordada pelo seu estilo viriam a adaptar conforme os ajustes sociais que se haviam instalado. Transposições humanizadas que caracterizam o profundo desalento emocional sentido por parte das pessoas e que encontravam como principal causador de todo este mal, a 1ª Grande Guerra Mundial.
O Gabinete do Dr. Caligari, dirigido por Robert Wiene, será sem dúvida uma das melhores representações clássicas que expõem firmemente as intenções que evidenciariam os sentimentos que mais se justificam em ambiente de guerra, envolvendo a Alemanha, até mesmo pós final da 1ª Grande Guerra. Assim conseguimos obter uma representação brilhante através deste painel de sentimentos contraditórios e terríficos que constroem a abordagem geral dos cenários expressionistas, daí a diz que as imagens de Caligari são como reflexos em espelhos deformados onde todas as medidas sentem o peso de uma inversão estabelecida à priori, acabando por se deixar inverter em função por vezes de um sentido real que é conseguido através do claro/escuro de contrastes violentos, o que acentua ainda mais este processo de inversão. O abstracto psicadélico da mente expressado é retratado por uma cenografia de perspectivas inusitadas e enviesadas, de forte teor anti-realistas, uma intenção de abordagem estética onírica e sobrenatural prestes a ver os seus objectivos cumpridos seguindo um carácter cinematográfico agora por trabalhar. A sua narrativa ficcionada tende a ser interpretada como uma valente avaliação no intuito profético do próprio destino, característica mais do que marcante na visão de mundo expressionista.
Na sintaxe do idioma alemão, os objectos têm vida activa, empregando-se para falar deles, verbos e adjectivos que servem para caracterizar os seres vivos. Muito antes do expressionismo, a animação do inorgânico já havia sido levada a extremos. Em 1879, o escritor alemão Friedrich Vischer, nos revela Eisner, em seu romance Auch Einer fala com muita seriedade da "perfídia do objecto", que espreita com uma certa alegria maligna os nossos esforços para domina-lo.
Os elementos essenciais do expressionismo só conseguiram a sua implementação definitiva por intermédio de uma nova arte, o domínio da imagem em movimento, dando vida a um mundo paralelo que com tanto gosto e privilégio podemos aqui estudar, povoado por visões subjectivas, misteriosas agitações do inorgânico e profecias inquietantes sobre uma nova era, rasgos da modernidade vivida.


CONCLUSÃO

Este trabalho terá tido como principal intuito criar uma atitude que realçasse o que ao fim ao cabo é, uma inerente obrigatoriedade estilística perante os conceitos cinematográficos com que nos cruzamos hoje em dia, abraçando muitos paralelismos simbólicos face à sua matéria de origem, propondo incutindo algum saber por parte do decorrer destas adaptações visto terem deixado a trás de si todo um processo hoje mais arrefecido, capaz de desmontar a forma como se pode conjugar toda a variedade de artes numa só, isto veio permitir o modo de como é deixado a descoberto algumas das principais correntes no campo das artes plásticas, o que lhes confere um forte teor de adaptabilidade no que corresponde em pleno ás exigências pedidas segundo uma ordem de ideias que correspondam a outros campos de destaque por parte da nossa sociedade, que com a chegada de um novo século viu despontar uma vasta série de actividades que se encaixavam com o recente estilo de vida que agora passaria a estar mais em voga, a vida boémia!
Era possível ver os interesses das pessoas proliferarem conforme as tendências e gostos, as modas que acabariam por se diversificar ainda mais agora com a chegada de uma nova postura social, a ida a teatros, óperas, galerias de arte, cafés, mais tarde os cinemas também acabariam por despontar, a forma como uma imagem pode ganhar vida onde presenciamos uma projecção que nos narra uma ideia, explora momentos com toda a receptividade vindo deixar em aberto dados conclusivos no que toca à presença humana indiciando um vasculhar constante no seu estado interactivo que é base fundamental para todo o seu comportamento e divergentes estados de humor.
As linhas cinematográficas mais relevantes e escolhidas por mim terão sido O Realismo/Naturalismo, em que vemos salientada a importância e o surgimento da fotografia e qual o seu peso na sociedade, leva-nos a perceber a rapidez com que haviam conquistado um lugar de destaque por parte de uma nova invenção que traria a possibilidade de destaque por parte do mundo privilégios de tamanha diversidade com que privamos diariamente, e que maioritariamente passam despercebidos dada a rotina e banalização das acções no quotidiano.
O Impressionismo, que procura avançar a sua acção estética num grupo de variadas correntes artísticas e que daí por diante, maior seria o estado de consciência inclinado para com a percepção da sensibilidade individual, é uma arte apurada no que toca à mínima coordenação dos sentidos e de como estas podem ser ajustadas para atingir determinadas sensações e emoções, o que já irá ao encontro do Expressionismo.
Conseguimos perceber de modo intimista algum do rigor que nos é passado a transmitir por parte de filmes, livros, quadros, música, alta diversidade de conteúdos que nos entregam o combinar essencial que nos faz agir e virar de frente rumo ao caminho escolhido por parte de um realizador em possível acto de manobra, devemos ter sempre presente em nós que, o poder quebrar as regras requer criar ajustes que enquadrem todo um padrão clássico de modo a que este seja facilmente cumprido, mas isso só é possível através de um profundo conhecimento derivado de uma alta entrega e dedicação ao trabalho o que proporciona espaço necessário ao acto da criação aleatória, é fundamental perceber que antes de se romper o que quer que seja convém aprender a cozer antes, o respeito por parte da arte é trabalho árduo.

Sunday, August 27, 2006

MOVIE MAKING

Realização pode ser o exercício da mais pura insatisfação colectiva que me foi devidamente apresentado, pondo a descoberto certezas evidentes incutindo o devido ensinamento que não regride nem foge ao que me foi pedido desde cedo.
Sem que lhe prestasse a devida atenção foi visível o processo que encaixou a ideia de um dia poder vir a materializar aquilo que se sente, incutir rigor e profissionalismo quase lírico é algo que subentende involuntariamente o ideal de perfeccionismo pelo qual me guio.
Mesmo depois de uma escolaridade completa, continuo sem encontrar palavras que definam melhor aquilo que se carrega. Encontro mais e melhor numa foto desfocada que nem a mim pertencia do que em qualquer outra disputa silábica.
Realizar é um sentir regular que sustém vontade própria no rastreio simplista que unifica os mil anos que separam qualquer medo derivado de uma fantasia ignorada. Os dramas são rotina coberta de bocejos previsíveis que encobrem o consumar de mais aquele dia que justifica a persistência da memória, daí a pensar – “E porque não dar utilidade ás reticências que agora são moda nas ruas de Lisboa?”. A inspiração, não se conseguindo ver não quer dizer que ela não esteja presente levando-me a crer que a mente é o laboratório das experiências mais viciadas que nos ilustram.
Sintoma trágico-cómico seria achar que não faria de qualquer sala de cinema o meu escritório tendo sido premiado durante a infância com progenitores que se apercebiam do meu cansaço derivado de alguns programas que não mostravam em nada o quanto ainda viriam a ser uma referência para mim.
Agora e hoje é curioso vê-los a fazerem sensação à luz da minha época, recordar antigas séries de miúdos, anúncios que não nos vão esquecer, a nostalgia que patrocina o quanto já se foi reguila e mima de forma aprimorada o quanto sei pensar.
Trago todas essas imagens traduzidas por palavras sempre comigo por isso digo que me lembro delas de certeza, só não sei responder como o faço ou quando, é um acto involuntário que apela à espontaneidade. Contudo acrescento-lhes detalhes com um toque de gratidão todos os dias, não poderei esquecer aquilo que elas me contaram numa sala escura sob a presença de uma luz cónica porque ainda hoje tudo o que me mostraram é verdade.
Ficção seria não poder estudar na vossa escola principalmente quando as variantes máximas da sua génese vêem desconforto na minha forma concreta de afirmação, a minha realidade de mãos dadas com o desejo, onde as verdades caem num descrédito suspeito fazendo-me crer que a menor das realidades superará sempre qualquer acto ficcionado. O terror fez-me levantar, fechar as persianas e esperar que o meu trajecto me levasse a repensar melhor a abordagem que desencadeei, palavreado difuso, solto, podia nomear uma “catrefada” de adjectivos que não faria diferença. Palavras que exigem o melhor de mim visto ser uma personagem com graus de exigência alargada tornando-me num autodidacta que se desprende do texto e age por improviso na rodagem que me protagoniza. Uma maneira de ver o mundo longe da fila da frente, muitas vezes cansada e aflita, até mesmo vaga, mas muito obediente.
Já consegui falar das exigências que devíamos incutir em nós próprios, nos lapsos de felicidade que não vê a sua renda em dia e obrigam uma pessoa a ir à rua gritar pela dos outros, forma pouco lúcida daqueles que nos impedem de perder a cabeça e de como isso nos faz enlouquecer, o que acaba por dar no mesmo. O fio invisível entre pensar e sentir e o que esse ponto de ligação estabelece.
Não ter de passar pelo aperto que seria ver os meus filhos crescer, pois estes persistirão no tempo ao contrário de mim se me mantiver humilde o suficiente.


SHORT STORY:

Who am I…well…
…um apaixonado por câmaras, sempre na busca dos melhores ângulos e novas marés de ideias cuja inspiração provem dos atrofios entre aqueles que lhe são mais próximos…porem nunca muito longe do seu Martini Rosso a compartilhar ideias que me remetem ao obscuro. Coffe muito coffe XD. A rádio que celebra qualquer noctívago que se preze, os meus psychadelic moods, o desporto que também é fundamental daí a minha bike, arts & crafts.. lol.. nas horas vagas pois sou um aficionado de qualquer Arte (humor à descrição) and coverd with twisted feelings. Poder ter conversas infinitas pela noite fora tomadas num fundo aromático que desafie os nossos destinos onde um smoking fog encerra o pano deste palco.

Referências mais marcantes e actuais como:
Magnólia, Lost Highway, Mulholand Drive, A Flew Over the Cuckoo’s Nest, Lost in Translation, Fabuleux Destin d’Amelie, As Good as it Gets, Mystic River, Closer, The Hours, Sin City, Nightmare Before Christmas , La Mala Education, Vertigo, Kill Bill.

Realizadores a não esquecer e com quem gostava de poder beber um café:
Bertolluci, Almodover, David Lynch, Sam Mendes, Kusturica, Bergman, Coppola, Jean Pierre Jeunet, Roberto Benigni, Tarantino, Woodie Allen

Depois podemos ter muitas mais ideias originadas pelo contacto com o génio da Disney, as divisões entre o bem e o mal que são visíveis em qualquer conto animado, interpretados mais estruturadamente como ego, alter-ego e super-ego que vai caracterizar as personagens.
Não dispensar um excelente “concerto” sempre muito bem associado a um bom filme, que no meu entender pode até destruir o melhor dos argumentos se não houver sintonia entre banda sonora e contexto espacial.
Aprender a explorar o potencial de curtas-metragens, assim como vídeo-clips que também me entusiasmam, despertam interesse e a minha imaginação.


Saturday, August 19, 2006

WHAT MEANS TO BE SPECIAL ???



You're special
You're like a rocket through me
Ohh, you're special
You're a rocket through me
And I cannot this time
Agarina
You can't say no
Agarina
This time you will go
You're special
You're like a rocket through me
Ohh, you're special
You're like a rocket through me
And I cannot this time
There's a taste that you can't shake
But you can't seem to let them go away
I know you're special
You're a rocket to me
At this suprised
all the time
I know what you said to me
And I don't care at the same time
But i'll take you up and down
Address it to you
You're special
You're like a rocket through me
Ohh, you're special
You're a rocket through me
And I cannot this time
There's a taste that you can't shake
But you can't seem to let them go away
I know you're special
You're a rocket to me
At this suprised
all the time
Agarina
You can't say no
Agarina
This time you will go
I know what you said to me
And I don't care at the same time
But i'll take you up and down
Address it to you
Honey bee
I know what you said to me
And I don't care at the same time
And what do you stay to do?
I saw the worse of you

TRIVIAL PURSUIT


O porquê de continuamos juntos não é mais do que uma indiscutível sensação que regride de livre vontade, ela continua a precisar de mim para umas coisas, e eu preciso dela para continuar a lembrar-me das minhas.
Desculpa, mas eu não quero perceber o que me foi negado.
Já seria de esperar, não podemos por tudo ao nível de uma restrição previsível capaz o suficiente em contractar um esforço idêntico àquele que me faz pegar numa revista com entusiasmo, mas que não vê nenhuma frase sua decorada. O meu relógio vai ficando surdo pois tantas são as vezes que lhe pergunto as horas. Tenho medo de chegar muito cedo mas também não quero dar espaço a que dêem pela minha falta, contudo só quero chegar a tempo de poder fazer alguma coisa.
Componentes que não fazem parte só da autonomia, por norma sentem-se preenchidos com as indigentes posições dos exageros discernindo o quanto isso lhes vale. Passo por acrescentar verdade pelos meus próprios meios que em nada me detêm a falta de alguma originalidade, podendo surtir o efeito mais que evidente. Mesmo que eu não veja as coisas claramente à minha frente isso não impede que acredite nelas, não nos esqueçamos dos favores que devemos uns aos outros criados numa noite em céu de veludo. No meu relógio são horas de cobranças soltas, por isso comparo o sacudir da indefinição que se estende em diversas criticas fornecendo a solidificação da matéria, por mim vaga e resumida conforme a aprendizagem pode ser, endividada amanha-se com o que pode, mas com um gesto de revista podemos ter apenas presente mais um acto inglório que facilmente se confunde com o que discernimos como reflexo furtivo em vão.
Sete ligeiros que se impedem no cumprimento firme desta festa de máscaras, que mais podem eles pedir emprestado sem que lhes seja forçado o toque 5 vezes consecutivo em desconexões confortantes que impliquem ser-se ironicamente perfeito na nomeação autodidacta da estrofe. Já alguém dizia - "só haverá democracia quando formos todos culpados"
A vida faz demasiado sentido para mim.

Wednesday, August 16, 2006

KIDNAPING MR. SANDY CLAWS

Como é que eu pretendo fazer uso suficiente daquilo que não vale o conseguir do esforço que seja?
Eu quis seguir a minha entoação sem responder de agrado com interrogações sorteadas, sem conseguir que o sono me promova.
É sempre igual, chegar à rua, saber que vou poder alinhavar-me ao sentido circense da multidão, aquela que nos é particular, as filas contraem-se na disputa que areja o ímpeto sentinela no marcar da passada em desvantagens célebres e poetas. Os médicos garantem-me que somos nós quem ergue razões para que os seus clientes se destruam. Tenho de concordar com eles, antes que qualquer história me preceda, percebi que nunca daria um bom médico. Compreender a dificuldade entre fazer um bolo é idêntica à compreensão que une o desfrute de um Martini Rosso em desvantagem com as ideias empilhadas por copiar; mas mais uma vez, estou a meio do caminho e já saí de casa há 20 minutos de cigarro a meio, esqueci de trazer o relógio, deixei janelas abertas que não era para deixar.
É passageiro voltar à ordem que semeia a rotina, check the mind now and then, see if its not to tight; manter a proibição essencial ocupada para que consigamos regressar a casa sem atrasos que viram o seu esforço interrogado, como no inicio, antes mesmo de tu saberes que ias estar aqui a ler o que te mostro.
As publicações são confiáveis com o tratamento que nos faz ver que a confiança existe por parte dos que propõe sentir que gostemos deles pelo inexperiente saber do pressentimento.
E se eu recusar viver da experiência? Versificar um substituto que dá lugar a tudo o que me leva a pensar, que por sua vez dá lugar a que as coisa se aproximem do que se sente. Pensar de mais é deixar o que sentes numa ordem pendente, onde puseste de parte qualquer princípio razoável do saber.
Quando falo que já não são estas as coisa que quero, fica mais simples ver o desfrutar do convívio que me fez sair hoje de casa, no acentuo passageiro da manobra onde colocamos o consumo constante de onde estou, para onde me dirijo. Com a pressa, faltou-me perspicácia em deixar passar aquilo de que ninguém fala sendo apenas suposto sabê-lo, pormenor como o alvorecer ideal deste atraso que não me deixa conquistar aquilo que faz, com que as presenças escolham desistir de mim.

Wednesday, May 17, 2006

INSÓNIA DAS 4:47

FáBiO acabou de pedir a sua atenção!

FáBiO diz:
darling
sorry
estive a trabalhar

<<<>>> Come along nice, come along dead...! diz:
really...não sabia k fazias dessas coisas, isso é coisa de gente crescida...

FáBiO diz:
lol
e a foder imensíssimo
ai
já n engatava assim desde os tempos em que tinha mais lata do que tenho agora

<<<>>> Come along nice, come along dead...! diz:
hmm acredito vivamente k sim...
eu engato por outras vias....não é todos os dias k se chega à brilhante conclusão de k se é feliz sozinho...

FáBiO diz:
eu já cheguei há mto tempo

<<<>>> Come along nice, come along dead...! diz:
não...chegas-te há pouco...eu é k tenho estado em casa desde as 22
ou essa dita felicidade a solo, tbm pode ser um dito com a mera finalidade de nos consolar a nós próprios....nunca chegaremos a saber ao certo, pk não somos masoquistas o suficiente para querer descobrir...pelo menos eu não sou...

FáBiO diz:
ai ai ai
tanta filosofia
pareces o caeiro!
detesto o caeiro!

<<<>>> Come along nice, come along dead...! diz:
eu detesto-me a mim, prefiro assim do k estar a detestar pessoas k não conheço pessoalmente

FáBiO diz:
parvo
não te devias detestar
quem se detesta não tem capacidade de amar

<<<>>> Come along nice, come along dead...! diz:
hmmm, acho k kem não tem medos ou receios, ou k sinónimos lhes keiramos atribuir, é k não tem capacidade para sentir o k ker k seja, kuanto mais pensar em amar alguem...
eu já tive mais...aprendo a não ter medo de nd a cada dia k passa....
isso é mto mau...
mas lá está...
de volta aos consolos....
twisted!!

FáBiO diz:
ai acho um chic
devias ouvir o falstaff
do maestro verdi
tem tudissimo a ver
ker dizer
e o texto é baseado em shakespeare

<<<>>> Come along nice, come along dead...! diz:
eu devia ouvir mta coisa, ler mta coisa, falar mta coisa...que não iria fazer mta diferença àquela que presiste hoje...
tinha que ser estupido para ser feliz....
conheço alguem k diz o msm
lool

FáBiO diz:
quem?
...

FELICIDADE



"...flying high upon the gallows, too messed up to step out of the shadows, a drugged up heart that knows no sorrow rescued from this deep dark hole..."
Amantizar o que é demora sem justificar ao que se preza, é prever o rescaldo da promessa.
Simplicidade digerível contida no meu esforço de auto-conduta, comandos de uma postura suplente do sincero acaso, inerente à prática reacção subtraída por qualquer adaptação que contrarie o assimilar dos objectivos premeditados.
Dinâmicas descoordenadas ensinam-nos patentes com as quais possamos regredir, sem recorrer a impulsos gentis, improvisando um pouco mais de vontade que seja.
Ainda queria poder ser vivo e descobrir que nenhum desejo meu depende de quem quer que seja, senão da acção que antecede a este meu pensamento. Somente os sensacionalismos constituídos por verbos mal estudados sugerem a retoma da palavra, muitos passam o seu tempo à mercê de dívidas vaidosas combinadas com unhas e peles roídas.
O que consegues satisfazer através do insólito é por vezes inserido na restrita indecisão de como pode estár dependente a nossa felicidade. O silêncio faz parte de um vocabulário complexo, fui dos poucos que o soube estudar na escola, vendo-o crescer na noite e ver os dias a querer inserir reflexão às palavras, por onde o silêncio passa sempre insubstituível.

Monday, May 01, 2006

THE END